segunda-feira, 6 de agosto de 2012


"Fazer" uma doença- Contardo Calligaris



A desventura pode até ser terrível, mas console-se: se você for vítima ou culpado, você vai aparecer na foto 



Vários leitores pediram que eu insistisse no mesmo tema da semana passada: por que a culpa é um de nossos jeitos preferidos para dar sentido ao mundo? Como é possível que, diante de uma desgraça, o fato de sentirmo-nos culpados constitua, para nós, uma espécie de conforto?
Todos conhecemos as expressões usuais pelas quais, por exemplo, Fulano ou Fulana podem eles mesmos admitir que "fizeram um câncer" -e não foi porque fumaram dois maços de cigarros por dia durante a vida inteira, nem porque, verão após verão, deitaram no sol para bronzear a pele, sem protetor algum. Nada disso: a expressão "fazer uma doença", em geral, indica outro tipo de responsabilidade. Mas vamos devagar.
Não é raro que a primeira reação de quem recebe um diagnóstico maligno consista em procurar uma intenção escusa da qual ele poderia ser a vítima. Envenenaram a água da cidade; o ar é repleto de resíduos daquela fábrica cuja chaminé solta fumaça a cada noite; há um dentista que tem consultório acima do meu, ninguém sabe quantos raios-x ele faz por dia, será que ele isolou sua sala do jeito certo ou será que a radiação chega até aqui?
Na mesma linha, Deus ou o diabo podem ser os mandantes de minha desgraça. Deus, porque ele quer colocar à prova minha fé, como ele já fez com Jó. O diabo, porque ele é príncipe aqui na terra e todo o mal vem dele.
Essas reações parecem ter o mesmo propósito dos delírios paranoicos: elas acusam um agente externo (Deus, o diabo ou os vizinhos) para que o mundo ganhe sentido, ou seja, no caso, para que o mal que se abate sobre a gente tenha uma explicação. "Adoeci porque alguém me quis mal": graças a essa crença, não sofro por acidente nem por acaso, mas sou vítima de uma vontade que me castiga ou me testa. O que se ganha com isso? Antes de responder, mais uma observação.
Em geral, quando temos intenções que preferimos esconder de nós mesmos, uma boa solução é atribui-las a outros. Portanto, não seria de todo estranho que a gente acusasse Deus e todo mundo por males que nós mesmos causamos.
Desse ponto de vista, reconhecer que nós somos os primeiros culpados de nossa desventura seria um progresso. Algo assim: até que, enfim, o cara se tocou, não foi Deus, não foi o demônio, nem a usina química no morro atrás da casa, foi ele mesmo que "fabricou" sua doença.
Geralmente, a explicação deste "fabricar sua doença" passa quer seja por uma poética do estouro (emoções contidas e silenciadas tiveram que se expressar e explodiram numa neoplasia), quer seja por uma poética da erosão (as mesmas emoções reprimidas foram atacando o corpo como a famosa gota que cava a pedra, não pela força, mas caindo repetidamente).
Tanto faz: o que me importa dizer é que entre acusar a Deus e todo mundo e acusar a nós mesmos não há progresso algum.
A posição de vítima (Deus, o diabo e os vizinhos me querem mal) e a posição de culpado (eu fabriquei minha doença porque meu inconsciente é meu verdadeiro inimigo), ambas são chamadas a "explicar" o mal que nos assola, porque, aparentemente, preferimos sofrer de um mal explicado a sofrer de um mal aleatório. Por que isso? Simples: tanto se eu for a vítima escolhida por Deus e pelo mundo quanto se eu for a vítima de mim mesmo, apesar de doente, eu me manterei nas luzes da ribalta.
Em suma, agimos e pensamos como se nosso sofrimento pudesse ser aliviado por uma compensação narcisista: a desventura é terrível, mas, ao menos, como vítima ou como culpado, sairei na foto. Não é uma consolação?
Talvez. Mas é uma consolação custosa, porque, nessa foto em que sou vítima ou culpado, a desventura é o que me define, o que me resume.
De fato, qualquer sofrimento seria um fardo mais leve se ele pudesse aparecer como quase sempre é: um mal sem sentido, que não faz parte de nenhum plano e não é fruto de nenhuma vontade escusa, nem da nossa.
Teste de boa saúde: estamos bem quando podemos ser atropelados sem ter que considerar que alguém tentou nos matar ou que nós mesmos nos jogamos nas rodas do caminhão, empurrados por impulsos inconfessáveis.
Um amigo querido morreu de um câncer que ele não fabricou e que não lhe foi imposto nem por Deus nem pelo diabo nem pelos vizinhos. Ele dizia: os males reais são suficientemente graves para que a gente não se esforce para lhes acrescentar mil sentidos imaginários.
Extraído do Blog Oriente-se


sexta-feira, 27 de julho de 2012

Puxa-saco de galinha


Depois de tanta polêmica os saquinhos voltaram, gostei do que a Leda Nagle fala sobre isso nesse artigo.
E eu que nem  ia mais postar o puxa-saco. Mas está aí pra quem quiser guardar seus saquinhos e fazer uso deles, pro lixo de casa ou pra qualquer outra coisa. Ao reaproveitar você também está reciclando.
Confeccionado em piquê e aplicação de galinha.
Dimensões
0,62 cm de comp x 0,26cm larg
Preço: R$35,00 cada.




quarta-feira, 25 de julho de 2012

Doce de maracujá


Comi esse doce num restaurante natural da vila Mariana, e simplesmente adorei!
Perguntei se era feito com a parte branca do maracujá e se precisava deixar de molho -sim, de um dia para o outro. Na primeira oportunidade comprei maracujás bem lisinhos, descasquei, tirei a polpa e aquela pele branca que envolve a polpa. As casquinhas brancas, pesei para saber a quantidade que iria colocar de açúcar, cortei em pétalas e deixei de molho.Troquei a água várias vezes. No dia seguinte, pus pra cozinhar só com a água, depois acrescentei o açúcar, que é a metade do peso das casquinhas, e o doce continuou cozinhando. Quando as cascas começaram ficar transparentes, acrescentei um pouco de suco de maracujá. Guardei um pouco das sementes para finalizar o doce dando uma aparência bem saborosa. E foi como ficou, delicioso! Igualzinho ao que eu tinha comido.




terça-feira, 24 de julho de 2012

Lingerie personalizada



Quem não gosta de um saquinho personalizado para guardar a lingerie?
Na viagem, na academia ou em casa, deixa tudo organizado e arrumadinho.
Pode fazer um conjunto com o saquinho para guardar sapatos. Fica a sugestão para presentear.

Confeccionado em tricoline,100% algodão. Etiqueta de piquê, bordada a mão. 
O visor é de filó de algodão.

Dimensões
Saquinho de lingerie: 0,31 cm de comp x 0,27cm larg
Saquinho de sapatos: 0,35 cm de comp x 0,37 cm larg

Preço: R$25,00 cada mais o frete.








Ilhós

Finalmente comprei a máquina que eu tanto queria. É uma prensa para fazer ilhós.
Fui com minha filha na Rua da Graça, no Bom Retiro. Divertimo-nos muito, fazia muito tempo que não íamos na Zé Paulino. Mas foi ao chegar em casa e tentar fazer uso da prensa que a felicidade chegou ao auge, é fácil e na primeira tentativa já deu tudo certo. Não dá pra imaginar que uma coisa assim tão simples possa trazer tamanha felicidade. A felicidade é bem mais simples do que se imagina.
Quando eu era criança, lá em Olinda, tinha umas senhoras, moças velhas, como dizia minha mãe. As Correas tinham essa prensa, cobriam botões, o que na época era muito usado. A gente levava um retalho do tecido da roupa que estávamos costurando e saía com alguns botões do tamanho pedido. Além dos botões é claro, faziam as casas, ilhoses, ponto ajour e uma série de outras coisas. A casa antiga era linda, fazia parte do casario do sítio histórico de Olinda/PE., na porta uma sineta avisava que alguém estava entrando. Elas sempre me recebiam com um sorriso, a alemãzinha chegou! Meu pai era tcheco mas o denominavam de galego, ou alemão. A casa sempre perfumada com seus doces, o cheiro do doce de goiaba é simplesmente inesquecível. E como elas gostavam muito de mim, eu sempre ganhava  dos seus doces, bolos e biscoitos. Era quase como num conto de fadas.
Pois é, me senti um pouco como elas com minha prensa de fazer ilhós. É possível não ficar feliz?




sábado, 21 de julho de 2012

Embalagem

Esta é a minha embalagem. O produto vai embalado no papel de seda. Sacolinha de papel kraft, cordão dourado e o cartão do Ateliê Maria Ceiça.




sexta-feira, 20 de julho de 2012

Geleia de kinkan



Vou aproveitar a foto do post anterior para falar sobre a geleia de kinkan que está na mesa.
Colhi kinkans no quintal de minha sogra, plantadas por ela. Resolvi fazer uma geleia e presentear minhas cunhadas.
Coloquei num pote e deixei em cima da mesa, mas acontece que tenho uma cachorrinha muito curiosa que foi ver o que era aquilo com aroma tão perfumado.
Gritei: - Jujuba!  E ela, no susto, puxou a toalha e foi tudo pro chão. Mas a Eliana, uma amiga que tem um sítio de produtos orgânicos, me presenteou com um saco cheio de kinkans fresquinhas, e fiz outra.

É muito fácil de fazer, basta lavá-las, tirar o cabinho e as sementes. Para isso corte-as em quatro e com uma faquinha retire a parte branca e as sementes.
Pese para saber a quantidade do açúcar, que será a metade do peso. Isso é a gosto, tem pessoas que colocam a mesma medida, eu acho que fica muito doce.
Passe as kinkans no processador, sem deixar virar uma pasta, ou corte-as do jeito que você achar melhor, mais fininhas ou mais grossas. Junte açúcar e um copo de água. A água ajuda a cozinhar as casquinhas, portanto, se for necessário, vá colocando mais até ficarem macias. De vez em quando mexa para não grudar. Ficará pronta quando estiver cremosa. Uma dica é tirar do fogo, colocar uma colherzinha num pratinho, esperar esfriar e ver se está no ponto do seu agrado. Aí é só comer com uma torradinha, uma fatia de bolo, um sorvete de chocolate. Hum! Hum!

E por falar em doce, aí está a foto da meliante, carinha de santa. É meu xodó, e por isso escolhi o nome Jujuba, docinho que adoro!



 

Trilho de chita



Eu adoro chita. Ela faz parte do meu imaginário de menina, lembranças do São João de Pernambuco, da praia, dos vestidos das velhinhas sertanejas com seus cocós e seus cheiros de lavandas, são lindas memórias. A chita é alegre, vibrante e na mesa ela remete às coisas simples que encantam. Transforma um simples cafezinho num momento de alegria e prazer. Como pode uma coisa tão simples carregar tudo isso em seu bojo?

O trilho substitui dois jogos americanos. Gosto dele um pouco maior do que o de costume para que caiba tudo o que será servido. Mas é claro que se você preferir menor ou até maior é só escrever pro meu e-mail e a gente pode conversar.
Dimensões: 1,35m comp x 0,95 cm larg
Preço: R$ 30,00 mais o frete pac ou sedex





segunda-feira, 16 de julho de 2012

Testeira nova



Ainda não tinha falado da minha testeira nova. Foi Leonardo, o meu filho, quem deu essa renovada no blog. Escolhemos essa imagem de dedais do Andy Warhol, quem não se lembra de suas gravuras da Marilyn Monroe e das latas de sopa Campbell’s? Clique aqui pra saber mais.
O fato é que me apaixonei pelos dedais porque não consigo costurar sem fazer uso deles. Lembro de minha mãe costurando, ela usava um daqueles antigos de metal. Hoje, além dos nacionais, existem os importados que são: de couro, plástico, abertos ou fechados. Ganhei dois bem antigos que foram da minha sogra, são lindos.





quinta-feira, 19 de abril de 2012

Saquinho personalizado











Saquinho personalizado
Tudo fica protegido nos saquinhos personalizados. Você leva na maternidade para organizar a mala do bebê. Também na escolinha no leva e traz de roupinhas limpas ou sujas. Vem incluído um forro plástico removível. É confeccionado em piquê e bordado à mão com todo o carinho.
Dimensões aproximadas (cm): 32,0 comp x 21,0 larg
Preço: R$ 30,00

Contato: atelie.mariaceica@gmail.com
Estou voltando após um longo tempo, pra mim, um século!
A vida é assim esse vai vem.
"O trem que chega
é o mesmo da partida."


ENCONTROS E DESPEDIDAS
(Milton Nascimento e Fernando Brant)

Mande notícias do mundo de lá
diz quem fica
Me dê um abraço, venha me apertar
tô chegando
Coisa que gosto é poder partir
sem ter planos
Melhor ainda é poder voltar
quando quero
Todos os dias é um vai e vem
a vida se repete na estação
Tem gente que chega pra ficar
Tem gente que vai pra nunca mais
Tem gente que vem e quer voltar
Tem gente que vai e quer ficar
Tem gente que veio só olhar
Tem gente a sorrir e a chorar
E assim chegar e partir
são só dois lados
da mesma viagem
O trem que chega
é o mesmo trem da partida
A hora do encontro
é também despedida
A plataforma dessa estação
é a vida desse meu lugar
é a vida desse meu lugar
é a vida…