terça-feira, 24 de julho de 2012

Ilhós

Finalmente comprei a máquina que eu tanto queria. É uma prensa para fazer ilhós.
Fui com minha filha na Rua da Graça, no Bom Retiro. Divertimo-nos muito, fazia muito tempo que não íamos na Zé Paulino. Mas foi ao chegar em casa e tentar fazer uso da prensa que a felicidade chegou ao auge, é fácil e na primeira tentativa já deu tudo certo. Não dá pra imaginar que uma coisa assim tão simples possa trazer tamanha felicidade. A felicidade é bem mais simples do que se imagina.
Quando eu era criança, lá em Olinda, tinha umas senhoras, moças velhas, como dizia minha mãe. As Correas tinham essa prensa, cobriam botões, o que na época era muito usado. A gente levava um retalho do tecido da roupa que estávamos costurando e saía com alguns botões do tamanho pedido. Além dos botões é claro, faziam as casas, ilhoses, ponto ajour e uma série de outras coisas. A casa antiga era linda, fazia parte do casario do sítio histórico de Olinda/PE., na porta uma sineta avisava que alguém estava entrando. Elas sempre me recebiam com um sorriso, a alemãzinha chegou! Meu pai era tcheco mas o denominavam de galego, ou alemão. A casa sempre perfumada com seus doces, o cheiro do doce de goiaba é simplesmente inesquecível. E como elas gostavam muito de mim, eu sempre ganhava  dos seus doces, bolos e biscoitos. Era quase como num conto de fadas.
Pois é, me senti um pouco como elas com minha prensa de fazer ilhós. É possível não ficar feliz?




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